Página Principal Fale Conosco Mapa do Site  

O que é a ARFOC
Como se associar
Tabelas de preços
Direito autoral
Classificados
Notícias
Exposições virtuais
Concursos
Equipamentos
Exposições
Cursos
Perfil
Lojas e produtos
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro
Federação Nacional dos Jornalistas
Associação Brasileira para Proteção da Propriedade Intelectual dos Jornalistas

Morreu J. França, autor da foto Protesto na rampa

publicada em 3 de setembro de 2010


Câmeras no chão. Os repórteres fotográficos e cinematográficos que cobriam o Palácio do Planalto realizaram em 1984 o protesto diante do presidente da República João Figueiredo quando ele descia a rampa do Palácio do Planalto. Só um profissional, José de Maria França, fez a foto, escolhido pelos colegas manifestantes para registrar aquela cena para a História.

A morte do repórter fotográfico José de Maria França, que se notabilizou nacionalmente com este episódio ocorrido no último governo do ciclo militar, contra o próprio Figueiredo, ocorreu em Brasília no dia 23 de agosto. J. França tinha 54 anos e foi vitimado por uma infecção generalizada, seguida de um acidente vascular cerebral, durante cirurgia para combater uma apendicite supurada.

J. França trabalhou no Jornal de Brasília, Correio Braziliense, Jornal do Brasil e O Globo, em Brasília. Deixa a mulher, Rosinha, e três filhos. Deixa também um importante trabalho no fotojornalismo brasileiro, além de muita saudade nos colegas e amigos.

O depoimento do amigo e colega Milton Guran:

“Convivi com J. França na cobertura política em Brasília, e participei do episódio em que ele fez a sua fotografia mais importante, entre tantas belas imagens que nos legou. J. Franca era sereno e corajoso, consciente e solidário, um profissional competente. Por isso foi escolhido para registrar o momento em que os jornalistas enfrentaram em público o último general do regime militar em defesa da liberdade de imprensa. A foto saiu perfeita, simples, direta, contundente. J. França não era de perder pauta. Com a sua maneira simples de ser, ao largo das vaidades, fica em nossa memória como exemplo de repórter e de ser humano.”

A história do protesto

Era o começo do fim do regime militar, em 1984, e faltava menos de um ano para a eleição do sucessor do general Figueiredo. Em audiência concedida ao “presidenciável” Paulo Maluf, o presidente estava visivelmente mal-humorado. Ao ver que alguns repórteres fotográficos já estavam no gabinete presidencial, Maluf disse a Figueiredo: “Sorria Presidente”. E o presidente respondeu: “Estou na minha casa e fico como eu quero”.

Ao retornarem ao comitê de imprensa, os fotógrafos que presenciaram aquela cena passaram a informação aos repórteres de texto e aquele diálogo, no mínimo engraçado, foi para a primeira página dos principais jornais do país. Ao ler as manchetes na manhã seguinte o presidente, irritado, disse que não houve tal diálogo e que os fotógrafos eram mentirosos. E em represália, proibiu o acesso de qualquer repórter fotográfico ou cinematográfico ao seu gabinete.

Por esse motivo foi realizado ato de protesto: no momento em que Figueiredo descia a rampa, todos os repórteres fotográficos e cinematográficos colocaram as suas câmeras no chão diante do presidente e não fotografaram o acontecimento. O fotógrafo do Jornal do Brasil J. França foi escolhido pelos colegas para fazer a foto e distribuir para todos os jornais. O protesto virou notícia nacional.





 

Spacetec WebStudio