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MORRE O FOTOJORNALISTA ORLANDO ABRUNHOSA

publicada em 5 de maio de 2016


Faleceu nesta quinta-feira aos 74 anos, o fotojornalista Orlando Abrunhosa. Ele estava internado havia 15 dias por causa de uma pneumonia que se complicou evoluindo para uma infecção renal, levando-o a uma parada cardíaca. Abrunhosa foi um dos homenageados no último dia 07 de abril com uma exposição proposta pelo Vereador Leonel de Moura Brizola na Câmara dos Vereadores, “A fotografia como documento social”. Orlando deixa um filho, Marcos Frederico, jornalista da Rádio Tupi e esposa Eliene Abrunhosa. O velório está marcado para sexta-feira, dia 06/05 às 12h no Memorial do Carmo e o enterro será realizado as 16h no Cemitério do Caju.

ORLANDO ABRUNHOSA
Por Nilton Ricardo

Toda a imprensa estava à espreita há uma semana, na tentativa de fotografar o Comandante Aragão, Chefe da Polícia Militar, detido na Embaixada da Argentina. Vivia-se um regime duro, pós-golpe de 64. "Tempos difíceis, em que no existiam filmes de alta sensibilidade, e as pesadas câmeras Rolleyflex acabavam com qualquer clima intimista que o fotógrafo desejasse imprimir", lembra o fotógrafo Orlando Abrunhosa. Em meio ao tumulto de máquinas fotográficas, laudas e flashes, lá estava ele, fotógrafo miúdo, com pouco mais de metro e meio de altura, à espera de uma oportunidade para fazer seu primeiro furo de reportagem.

— Eu era laboratorista da revista Manchete, mas precisei encarar muita gozação das pessoas quando disse que um dia seria um fotógrafo, recorda.

— Precisamos de fotógrafos peitudos, que agüentem porrada, e não um cara pequenininho como você, porque todo mundo vai passar na sua frente, dizia o editor da revista. Não importava. Orlando queria o flagrante. Acabou encontrando um prédio que lhe permitiu observar o pátio da Embaixada da Argentina. De repente, apareceu o Comandante Aragão, que se sentou numa cadeira ao ar livre para ler um jornal. — Ele virou o rosto na minha direção e eu não perdi tempo: fiz a seqüência inteira de fotos, furando toda a imprensa, entusiasma-se Orlando.Considerando-se um «fotógrafo de detalhes», Orlando se especializou em fotos que exigiam horas a fio de observação. Certa vez, ficou 48 dias fotografando um casal de rolinhas se movimentando sobre um pinheiro de Natal. O ensaio fotográfico foi publicado no Brasil e na Alemanha, em forma de diário, com texto e fotos acompanhando a seqüência de movimentos líricos dos passarinhos. Gastando quase todo o seu salário na compra de substâncias químicas importadas — para aumentar a sensibilidade dos filmes —, Orlando também registrou a personalidade noturna do bairro de Copacabana, com seus vendedores de flores, pipoqueiros, futebol de praia e festivais de chope. Na década de 60, três matérias suas ganharam o Prêmio Esso: PORQUE O HOMEM MATA (uma série sobre os detentos na cadeia, que se estendeu por oito números de revista);OS FRUTOS PROIBIDOS (sobre o controle de natalidade); e A VERDADE SOBRE O BOX, com textos do repórter Juvenal Portella. Mas uma das maiores alegrias de Orlando Abrunhosa foi mesmo ver uma foto sua (Pelé, Jairzinho e Tostão na Copa de 70) transformar-se em selo e entrar para a história.

 

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