Abril de 2003 - Ano II - Número 6
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Perfil: Vinte e cinco anos de fotojornalismo
De tirar o chapéu...em sinal de respeito
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  De tirar o chapéu...em sinal de respeito  
 

Em maio, em uma estrada no Alto do Caparaó, na serra que leva o mesmo nome, em Minas Gerais, morreu o fotojornalista Miro Nunes, aos 57 anos, vítima de um acidente com o carro que dirigia. Miro foi levar um vizinho que lhe pediu uma carona a uma cidade próxima, quando uma carreta o interrompeu de continuar curtindo sua aposentadoria junto à natureza, sua grande paixão. Miro estava morando ao lado da reserva ambiental de Caparaó; a cerca da sua casa é a linha divisória. Fora a vidinha gostosa, como costumava dizer, fazia frila para as Revista de Pesca e Troféu de Pesca (SP).
Altamiro Nunes, ou melhor, Miro, foi um dos primeiros fotojornalistas de agências internacionais de notícia. Trabalhou mais de 30 anos na Associeted Press. Em 1966, começou na AP como office-boy, passou a operador de radiofoto e foi chefe de laboratório por três anos até ser o fotojornalista da agência, o correspondente da AP no Brasil. Isso não impediu que Miro entrasse na justiça contra a AP quando sentiu que a empresa não estava prestigiando essa trajetória e enveredava pelo caminho do desrespeito profissional, ao contratar um repórter fotográfico estrangeiro, com salário bem acima do seu, para ser treinado por ele. Ainda trabalhando na empresa, e sem fazer alarde, Miro cobrou na justiça horas extras devidas, equiparação salarial com o fotojornalista argentino e o pagamento do adicional de 30% , pelo uso de bip – necessário nesse trabalho por ficar à disposição 24 horas da agência -, e acordado em contrato. Logo depois, foi demitido pela AP.
Apesar de sua coragem, o fato deixou mágoas profissionais e marcas pessoais. Quando saiu da AP, optou por ser frila. Foi para São Paulo e começou a trabalhar para a agência de fotojornalismo Cooperphoto, de um amigo seu. Fez trabalhos também para a Agência France Presse e passou a trabalhar no eixo Rio-São Paulo. Pela Cooperphoto, também fez inúmeras viagens, e quando a agência fechou, há cerca de quatro anos, ele se aposentou. E aí foi curtir a natureza. Mas deixou em seu lugar no fotojornalismo diário seu filho, Eduardo Nunes, que segue a mesma carreira do pai.


José (Zé) Dantas
O cinefotojornalismo teve uma forte baixa. Morreu em junho, de câncer, aos 62 anos, o cinegrafista José Dantas, pioneiro da TV brasileira. Português, veio para o Brasil aos 19 anos e foi responsável por registros históricos do País, entre eles imagens da Copa do Mundo pelo Canal 100 e pela TV Globo, onde trabalhou durante 26 anos. Mestre do ofício, entre seus vários trabalhos, fez inúmeros Globos Repórteres. Por um desses trabalhos, ganhou o Prêmio Rei de Espanha, importante premiação na categoria repórter cinematográfico.

Fernando Bueno
Morreu, aos 70 anos, em junho, de câncer, o fotojornalista Fernando Bueno. Depois de trabalhar nos jornais Diário Carioca e Tribuna da Imprensa, onde despontava Carlos Lacerda, Bueno foi para o Palácio Guanabara, assim que Lacerda foi eleito governador do Estado da Guanabara. Mais tarde, foi para o Jornal da Tarde e, depois, para o jornal O Estado de São Paulo, onde se aposentou.

 
 
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